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O QUE É?

A erva-mate (Ilex paraguariensis) é uma árvore da família das aquifoliáceas, originária da região subtropical da América do Sul no Paraguai. É consumida como chá quente ou gelado nos Estados de Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, no Brasil; como chimarrão nos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no Brasil e no Uruguai, na Argentina e em algumas regiões da Bolívia e do Chile; com água gelada, como tererê, nos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Acre, Rondônia e interior de São Paulo, no Brasil e em todo o Paraguai. Foi cientificamente classificada pelo botânico suíço Moisés Bertoni, que se instalou no Paraguai em 1895.

 

 


HISTÓRICO DA ERVA MATE

Os primeiros a fazerem uso da erva-mate foram os índios Guaranis que habitavam a região definida pelas bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, na época da chegada dos colonizadores espanhóis. 

No século XVI, os colonizadores espanhóis, já ocupando a região do Paraguai, observavam os índios que tomavam um estranho chá de ervas extraído da planta chamada Caá. Os guaranis chamavam-na de caá-i (água de erva saborosa) e dizem que seu uso fora transmitido por tupã (Veja mais abaixo a Lenda da Erva-Mate).

Inicialmente os indígenas preparavam este chá com a erva-mate num recipiente feito de taquara, cortada no formato de copo. A bomba de chimarrão que se conhece hoje também era feita com um pequeno cano dessas taquaras, com alguns furos na parte inferior e aberta em cima.

Os conquistadores provaram a erva-mate e realmente o acharam saboroso e alguns poucos goles davam uma sensação de bem-estar ao organismo. De volta a Assunção, os soldados de Irala levaram um bom carregamento de erva. Em pouco tempo, o comércio da erva-mate se tornava o mais rendoso da Colônia. O uso da erva-mate se estendeu às margens do Prata, conquistou Buenos Aires, transpôs os Andes, chegou a Potosi, enriquecendo os donos do Paraguai. Assunção dobrou de população e de tamanho. As fortunas se agigantavam. Assim, o chimarrão começou a ser transportado pelo Rio Grande através dos soldados espanhóis.

Chegou a ser proibida no sul do Brasil durante o século XVI, sendo considerada "erva do diabo" pelos padres jesuítas das reduções do Guairá. No entanto, a partir do século XVII, os mesmos passaram a incentivar seu uso com o objetivo de afastar as pessoas do álcool. A erva-mate passou por ecômicos para o projeto missioneiro.

Neste período, em 1638, os bandeirantes invadiram as Missões do Guaíra e descobriram também a erva-mate e a levaram para São Vicente. Por sua vez, os tropeiros que vinham de Minas Gerais comprar mulas nos Campos Gerais, voltavam com grandes carregamentos de mate. Assim, a erva-mate se espalhava e todos que o sorviam aprovavam o seu uso.

Quando, em 1813, o ditador paraguaio, Dr. Francia, proibiu as exportações de erva-mate, o Brasil se tornou o único produtor e exportador de erva-mate. Comerciantes paraguaios e espanhóis vieram instalar-se no Paraná, trazendo engenhos de soque. Com a abertura da estrada Serra Graciosa, em 1876, Curitiba se tornou um centro de exportação, transformando a erva-mate em uma das maiores riquezas nacionais. Com a decisão da questão dos limites de Missões, em 1910, o presidente dos Estados Unidos, escolhido como árbitro, julgou o caso a favor da Argentina e lá se foi uma boa parte de nossa região ervateira, a única até hoje daquele país, na província de Misiones.

Os argentinos descobriram o segredo que havia sido guardado com os jesuítas de como fazer germinar a semente e plantaram seus ervais que, em pouco tempo, se estendiam em milhares de pés pelo território de Misiones. No primeiro ano da colheita, 1914, alcançavam 3 milhões de quilos e, vinte anos depois, atingiam os 7 milhões de quilos. Atualmente, a Argentina é o maio exportador, com 38 mil toneladas, em 1995 e o maior produtor com 780 mil toneladas. Em segundo vem o Brasil com 550 mil toneladas produzidas e 26.422 exportada nesse mesmo ano. O outro país que desenvolve a cultura é o Paraguai, com uma produção de 64 mil toneladas e 112 toneladas exportadas, segundo dados dos anais do III Encontro Nacional sobre a Cultura da Erva-Mate. (25.4.1990 Erechim/RS.)

A erva-mate também é consumida no Chile e no Uruguai, que apresenta o maior consumo per capita 8—10 kg/hab/ano, enquanto na Argentina se situa ao redor de 6,5 kg/hab/ano e, na região sul do Brasil, entre 3 e 5 kg/hab/ano. O principal consumidor externo é o Uruguai, que responde por cerca de 80% das exportações brasileiras, enquanto o principal importador da Argentina é a Síria, consumindo cerca de 38% de suas exportações, seguida pelo Brasil com 32%. A erva-mate é ainda exportada para Estados Unidos, Europa e Oriente Médio.

Essa imensa riqueza tem 85% de sua área de distribuição geográfica concentrada nos três Estados do Sul do Brasil. Todos os que experimentam aprovam seu sabor e seus efeitos estimulantes e tonificantes. Por isso, seu consumo tem-se espalhado pelo mundo. Atualmente, uma bebida energética — Blue Energy — feita nos Estados Unidos com erva procedente da Alemanha, é muito consumida em boates brasileiras. Além do tradicional chimarrão e chás, verifica-se evolução no mercado para produtos derivados de erva-mate e, especialmente os prontos para beber, ressaltando-se o fato de serem naturais, o que atrai o consumidor. Há, pois, um campo enorme para crescimento do consumo da erva-mate, tanto no Brasil como no exterior.

Por outro lado, existem pesquisas e tecnologias disponíveis que permitem melhorar o padrão da erva-mate produzido e aumentar a sua produção, através do adensamento dos ervais nativos ou do plantio de novos ervais. O beneficiamento da erva-mate está sendo modernizado e outras pesquisas vêm sendo buscadas em termos de mercado, usos alternativos e qualidade de produção. O certo é que os tempos de esplendor experimentados em Assunção, nas Missões Jesuíticas, no Paraná podem ser revividos. Basta que a indústria nacional da erva-mate se una e explore esse marketing fabuloso que a caá-i traz em seu âmago.

Os paraguaios tomam chimarrão em qualquer tipo de cuia. São os únicos que também têm por tradição tomar o chimarrão frio. O "tererê" paraguaio pode ser tomado com gelo e limão, ou utilizando suco de laranja e limonada no lugar da água.


UTILIDADES DA ERVA MATE

Existe hoje uma infinidade de usos industriais identificados para a erva mate, além do tradicional chimarrão, do tererê e do chá mate. O extrato de folhas, a clorofila, os óleos essenciais, a cafeína, os flavonoides e as saponinas contidas na erva mate podem se transformar em:

- Bebidas: chimarrão, tererê, chás, refrigerantes, sucos, etc.
- Insumos para Alimentos: corantes, conservantes, sorvetes, balas, bombons, caramelos, chicletes...
- Medicamentos: compostos para tratamento de hipertensão, bronquite, pneumonia, asterosclerose...
- Higiene Pessoal: bactericida, antioxidante hospitalar e doméstico, esferizante, esterilizante, tratamento de esgoto...
- Produtos de uso Pessoal: desodorante, cosméticos, perfumes, sabonetes, tintura de cabelo.


PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS

Estudos científicos realizados por laboratórios de diversas universidades e por conceituados cientistas e institutos de pesquisas, atestam as propriedades medicinais e nutritivas da erva-mate. O uso da infusão, em pouco tempo, “refaz da fadiga e excita ao trabalho”, sendo que a principal propriedade do mate consiste em duplicar a atividade sobre todas as formas: intelectual, motora e vegetativa, produzindo facilidade, elasticidade e agilidade físicas, sensação de força e bem-estar.

De acordo, com os diversos estudos realizados sobre a erva-mate, suas propriedades, chegam à ser espantosas.

A cafeína exerce efeito sobre o sistema nervoso central, estimulando o vigor mental. Com vitaminas do complexo B, o mate participa do aproveitamento do açúcar nos músculos, nervos e atividade cerebral do homem; vitaminas C e E agem como defesa orgânica e são benéficas para os tecidos do organismo; sais minerais, juntamente com a cafeína, ajudam o trabalho cardíaco e a circulação do sangue, diminuindo a tensão arterial, dado que a cafeína atua como vasodilatador. Em tais situações, também pode ser suprida a sensação de fome. 

O mate favorece a diurese, sendo de grande utilidade nas moléstias de bexiga. Atua também sobre o tubo digestivo, ativando os movimentos peristálticos, facilita a digestão e suaviza os embaraços gástricos, favorecendo a evacuação e a mictação. 

Os componentes químicos encontrados na erva, apontam a presença de vitamina B1, cálcio, ferro, fósforo e manganês, confirmando as propriedades terapêuticas da erva mate como estimulante, diurético e facilitador da digestão. 

A erva-mate também apresenta potencial preventivo e curador da aterosclerose, doença causada pelo acúmulo de gordura nas artérias. A ação oxidante reduz a reatividade vascular, comprometendo o vaso-relaxamento necessário para uma boa circulação sanguínea e podendo, causar, entre outras complicações, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Ingrediente principal do chimarrão, a erva-mate se mostrou um eficaz redutor das reações de oxidação que causam a doença. Próximo passo é transformá-la em alimento funcional e em fitofármaco.


LENDA DA ERVA MATE

O surgimento da erva pelo deus Tupã

Conta a lenda que a árvore de onde se colhe a folha para produzir a bebida amarga adorada por tantos gaúchos só surgiu no mundo depois de um pedido muito especial feito a Tupã o grande deus indígena. 

Em algum lugar no meio das coxilhas vivia aquerenciada uma tribo guarani cujo cacique tinha muita fama de valentia, bravura e sabedoria. Era um exemplo para seus comandados. Todos os índios queriam ser como ele, lutar como ele, caçar como ele, ter o conhecimento de tudo o que ele sabia. Outro motivo de orgulho para o cacique era a sua linda e formosa filha, Caá-Yari, muito admirada pelos jovens guerreiros. 

Mesmo com tantas razões para ser um homem altivo e feliz, o chefe índio andava acabrunhado. Triste. Uma tristeza vinda lá do fundo da alma. O cacique estava se enveredando pelos caminhos da velhice e tinha medo de ficar sozinho. 

Além disso, estava preocupado com sua sucessão. Não tinha filho homem e precisou escolher para sucedê-lo o mais valoroso entre os guerreiros da tribo. Justo o bravo pela qual sua filha Caá-Yari estava apaixonada. Era um grande problema a afligi-lo.Pela lei dos guaranis, a mulher do chefe da tribo tinha de acompanhá-lo em quaisquer de suas viagens, fossem caçadas, fossem batalhas, fossem missões de paz ou a busca de novas terras.

Assim, se Caá-Yari casasse com o guerreiro escolhido para se tornar o novo cacique, muitas vezes teria que se ausentar da tribo. Com a filha longe, o velho chefe não sabia se ia agüentar continuar vivendo.  Caá-Yari conhecia as apreensões do pai. E para não magoá-lo, a bela índia amava seu adorado em segredo. A filha zelosa sabia que, só com o pensamento de vê-la longe, o cacique caía numa melancolia danada. 

O desprendimento de Caá-Yari era percebido pelo chefe indígena. Sua dor e angústia eram tantas que decidiu procurar Tupã, o deus dos deuses, aquele que costuma ordenar todas as coisas do mundo. O cacique tinha consciência de que não poderia exigir a presença da filha ao seu lado para sempre e pediu a Tupã que lhe escolhesse um companheiro para as horas de solidão. Como forma de atender ao pedido, o grande cacique do Céu mostrou ao cacique da Terra uma árvore grande, de folhas verdes. Dessa árvore o chefe índio retiraria, secaria e torraria as folhas, fazendo com elas uma bebida amarga e quente, mas deliciosa. Seria sua companhia para quando ninguém estivesse junto a ele. Para preencher o vazio da saudade. E assim foi criada a erva-mate. 

Tupã também ensinou o cacique a partir o porongo e a fazer um canudo de taquara. Junto com a erva, surgiram a cuia e a bomba do chimarrão. Arraigando-se ao hábito da nova companhia, o cacique pôde finalmente confirmar seu sucessor como legítimo líder da tribo e, ao mesmo tempo, abençoar a união dele com sua filha. Agora, quando os dois jovens estivessem longe, o velho índio teria sempre ao seu lado o antídoto para espantar a tristeza. 

Por ter sido a razão principal do surgimento da erva-mate, Caá-Yari passou a ser a padroeira e protetora dessas árvores. Desde então, a lenda foi sendo contada de geração em geração. Uma história que passou a rechear a prosa nas rodas de chimarrão.

 

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